quinta-feira, 24 de junho de 2010

20ºs ENCONTROS DE MONSARAZ



1. A Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz existe desde 1988 e pretende estar atenta às necessidades, modificações e politicas que de algum modo interfiram com a Vila, os seus habitantes, e a comunidade em que se insere, debruçando-se por isso sobre os vários aspectos da sua realidade, mas sobretudo no que diz respeito às questões patrimoniais, políticas de intervenção e perspectivas relativas ao seu futuro enquanto comunidade.
2. Anualmente, a ADIM promove uma iniciativa denominada Encontros de Monsaraz, com o objectivo de debater temas importantes para a Vila e em particular e para a Região em que se contextualiza.
3. Numa altura em que a estrutura etária da sociedade se encontra desequilibrada e em que um número crescente de pessoas se encontra em situação de ter terminado as suas actividades profissionais gozando uma merecida reforma, mantendo no entanto as suas capacidades intelectuais e físicas em pleno, as universidades seniores e o ensino não formal são projectos que, além de educativos e formativos, são relevantes em termos sociais e de saúde, que contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos que as frequentam, evitando o isolamento e a exclusão social. Fomentam uma cultura de aprendizagem, aumentam os níveis de participação, demonstram que é indispensável aprender em qualquer idade, encorajam a troca de saberes e a valorização das pessoas enquanto seres participantes e activos na sociedade. Nestes encontros procuraremos ouvir técnicos, investigadores e entidades que possuam de alguma forma experiências neste domínio.
4. O encontro organiza-se em dois painéis, a realizar na manhã de sábado, em que se debaterão questões técnicas, projectos e experiencias relacionadas com a prática do trabalho com seniores.
Na tarde de sábado, realizar-se-á uma mesa redonda em que em ambiente informal, todos os participantes em conjunto com alguns convidados, com diferentes experiencias e formações, lançarão o mote para uma tardada de conversa sobre estes assuntos e muitos outros relacionados com as actividades da população sénior, que nos preocupam enquanto entidade interveniente na sociedade e nos seus problemas actuais.
Ainda na tarde de sábado, a teoria mostra-se na prática, e todos os participantes interessados podem experimentar um work-shop de metodologias expressivas, dirigido por uma especialista em arte-educação.
5. Após o encerramento e conclusões dos trabalhos, oportunidade para o lançamento do "Manual de Animação de Idosos em Meio Rural - A experiência da Escola Sénior do Mundo Rural”, uma obra resultante da experiencia da Escola Sénior de Arraiolos e do Projecto “participar”, do MONTE.ACE
6. Antes do jantar de encerramento, oportunidade para inaugurar e fazer uma visita guiada pela exposição de trabalhos das alunas da disciplina de Artes Plásticas e para assistirmos à actuação do Grupo de Teatro da ADIM “ADIMACAO”.
7. As inscrições para participar neste encontro, bem como qualquer outro pedido de informação, devem ser dirigidos para:
ADIM – Trav. da Misericórdia, Monsaraz, 7200 Reguengos de Monsaraz.
adimmonsaraz@hotmail.com Tlm +351965671181
Mais informações em:
http://www.facebook.com/people/Adim-Monsaraz/100000765015526

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SITIOS - 18 DE ABRIL




Locais: Monte do Barrocal e Lagar de azeite SEM FIM - Telheiro, Monsaraz

CONTACTO para informações e inscrições:

Ana Paula Amendoeira, anamendoeira@hotmail.com, tlm 966824189

Organização: ICOMOS-Portugal, Direcção Regional de Cultura do Alentejo, Festival Escrita na Paisagem, ADIM

terça-feira, 23 de março de 2010

Exposição de Arte Plástica da Universidade Sénior


No dia 16 de Abril de 2010 irá ser inaugurada a exposição dos trabalhos realizados pelos alunos da disciplina de Artes Plásticas, leccionada pela professora Sónia Assunção.

Para a abertura da exposição está reservada uma actuação musical, a partir das 21h.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CONFERÊNCIAS ABERTAS - DIA 26 FEVEREIRO





Rui Mataloto

Natural de Redondo, cursou História-variante Arqueologia na Faculdade de Letras, onde terminou a licenciatura em 1997. Em 2004 defendeu com êxito, na mesma Faculdade, a tese de Mestrado intitulada – Um “monte” da Idade do Ferro na Herdade da Sapatoa- ruralidade e povoamento no Iº milénio a.C. do Alentejo Central
Durante quatro anos trabalhou como arqueólogo de campo no Plano de minimização de Impactes do empreendimento de Alqueva, sob direcção do Dr. Manuel Calado, o que lhe permitiu um profundo conhecimento da Pré e Proto-história da margem direita do Guadiana no Alentejo Central. Neste momento é Arqueólogo do Município de Redondo, onde tem vindo a desenvolver uma extensa intervenção no povoado calcolítico fortificado de São Pedro.
Tem dirigido vários projectos de investigação sobre a Idade do Ferro do Alentejo Central, financiado pelo Instituto Português de Arqueologia, que lhe permitiram escavar novas instalações rurais da Idade do Ferro, como o sítio 3 da Herdade da Sapatoa (Redondo) ou a Necrópole da Idade do Ferro da Tera (Mora). Nos últimos anos vem desenvolvendo, em colaboração com Catarina Alves, escavações no cabeço de Evoramonte (Estremoz).
Os resultados das diversas intervenções têm sido objecto de apresentações e publicações regulares em Portugal e Espanha.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CONFERÊNCIAS ABERTAS - 18 DEZEMBRO 2009


“Duas aulas de história da arte - Da pré-história aos nossos dias” - parte 1

A Arte é uma manifestação humana, cujos processos criativos têm evoluído ao longo dos milénios.

Começou por ser uma actividade, desde logo, com uma componente de originalidade e criatividade, que nas suas primitivas manifestações (antes da invenção da escrita) aparenta ligações ao sobrenatural e à magia, de acordo com os estudiosos da matéria.

Não teve inicialmente objectivos expressivos e evoluiu, à medida que o homem se foi consolidando como espécie criativa, para uma forma registo de acontecimentos e hábitos do dia-a-dia, ligados sobretudo à sobrevivência (chefes tribais, imagens míticas e simbólicas, a caça, etc) e aos mistérios da vida (a morte, a própria vida, fenómenos das natureza, os astros, as estrelas, o sol e a lua, os deuses etc.).

O simbolismo e a representação estiveram desde os primeiros tempos ligados às manifestações artísticas mais primitivas do homem, fossem em desenhos, pequenas esculturas ou gravuras, inscrições em materiais cerâmicos, placas de pedra gravadas, chifres de animais etc. Eventuais outras criações em madeira, pele, ou outros materiais mais perecíveis, desapareceram com os anos.

Depois da invenção da escrita e de meios de registo melhorados (tintas, papel, peles, madeira etc) evoluíram para a representação de questões ligadas à sociedade, mas sempre ligados aos hábitos do dia-a-dia, às tradições e à representação do poder ou de temas religiosos (Deuses, Santos, Sacerdotes, Faraós, Imperadores, Reis, Príncipes, Presidentes, Ditadores etc…)

Estas formas expressivas tinham um valor representativo que se sobrepunha ao valor artístico. O pintor de uma corte, era como que um fotógrafo oficial, assim como os cronistas eram quem registava por escrito os acontecimentos mais importantes de um determinado rei, senhor do poder político, militar ou religioso.
A Arte era ainda vista como uma profissão entre outras, que se aprendia numa escola. Mais do que uma vocação, ou uma inspiração, era trabalho. Um artista era um artífice entre os outros. Nesta altura não se compravam pinturas e esculturas para decorar ou para pendurar na parede. Nem tão pouco tinham como hoje valor artístico.

Este estado da arte, durou até aos finais do sec XIX inícios do sec XX, quando se dá uma revolução no mundo artístico, em que se abandonam as influências clássicas e se inicia o movimento Moderno, que quer abandonar os ideais e as regras clássicas (nesta altura existiam as Belas Artes e as Artes Menores), e avançar para uma arte como forma de expressão, experimental, explorando novos rumos e novas tendências criativas.

No entanto, e no inicio desde movimento moderno, a arte ainda é vista como um oficio. O inicio do Movimento moderno tem escolas, como a Bahaus, em que se abandona o estilo clássico de composição, mas se mantém o mesmo tipo de formação, feito a partir da repetição dos modelos do mestre.
“A Pintura e a Escultura são os únicos meios de comunicação das antigas formas de arte. As obras nascem do segredo dos deuses: «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»; É uma arte só para os entendidos. Em volta do «Génio Artístico» circulavam outros génios menores, que absorviam as formas puras e o estilo do mestre.”
A arte passou, já no sec XX, a ser uma actividade expressiva, de autor. A arte é agora uma forma de expressão individual, ou colectiva, uma actividade criativa, original, resultado do experimentalismo compositivo. O artista já não é um artífice mas um intelectual, de preferência boémio, pobre, experimental, desprezado socialmente, muito à frente do seu tempo. Porém, a arte ainda é vista mais como resultado da inspiração do que fruto de um trabalho de pesquisa.

O exemplo máximo deste tipo de artista, que só é importante muito depois de morrer, é Van Gogh, que nunca conseguiu ter sucesso em vida. Trocava telas por tintas e por alimentos, com pessoas que não apreciavam nem davam valor ao seu trabalho, e que apenas aceitavam a troca por pena da figura. Acabou por se suicidar na maior das infelicidades, pobre, quase louco, nunca compreendido. Hoje é recordista de valores conseguidos com a venda dos seus quadros, por centenas de milhares de contos - Milhões de euros.

A arte é actualmente mais do que uma forma de expressão. Para além das formas clássicas: pintura, escultura, desenho, arquitectura e teatro, temos hoje como forma de arte a “instalação” a “performance”, mas também a “literatura” o “cinema”, o “vídeo”, a “banda desenhada” a “fotografia digital” e as novas formas de divulgação na internet, como o “you tube”, que são um salto enorme na evolução dos meios de registo e de divulgação.
A Arte é hoje, mais do que a produção de objectos estéticos, um poderoso meio de intervenção política e social, uma forma de protesto e de irreverência.

Um exemplo extremo desta forma de provocação é a obra “Merda de artista enlatada” (1961), que é um trabalho do artista italiano Piero Manzoni (Soncino, 13 de Julho de 1933 - Milão, 6 de Fevereiro de 1963), que consiste numa série de 90 latas contendo as fezes do próprio artista. Foi um artista italiano célebre pelas suas obras conceptuais. As latas chegaram a ser vendidas recentemente por valores nunca imaginados.
Outro exemplo desta forma de transformar objectos normais e insólitos em obras de arte, é o caso da “fonte” descontextualizada de Marcel Duchamp, das latas de sopa do Andy Warhol e do cão amarrado, do artista Costa-riquenho Habacuc.
Mas a visão do historiador de arte, ou daqueles quem se interessam pelas questões teóricas da arte, é que a arte é um espelho da sociedade do seu tempo, mesmo que não tenha sido feita com esse objectivo. O historiador de arte, distanciado, pode fazer agora uma análise social, económica, de usos e de costumes, política e mesmo antropológica a partir das formas artísticas (arquitectura, representação etc.) de determinada época ou período históricos.

Mas há ainda a ter em conta o factor “técnica”, que também tem valor artístico. A representatividade, expressividade e as formas de representar, simples, simplificadas, estilizadas, de certas estátuas e modelos pré-históricos, andinos ou gregos, são autênticas maravilhas de técnica representativa, por vezes confundíveis com sistemas de síntese, de redução e de simplificação ultra modernos. Os “artistas” destas épocas tinham verdadeiro valor artístico, e técnica representativa e presentativa, mesmo sem terem estudado e sem o saberem. Desconhece-se qual seria o estatuto social destes “artistas”, ou mesmo se eram reconhecidos enquanto tal.

Actualmente, a arte tem uma nova mais-valia. É também um activo financeiro, um bem de consumo e um bem de investimento. Há mercado de arte, feiras de arte, como havia de automóveis e como há também de cinema, de música, de literatura. A arte, não deixa por isso de ser uma forma de expressão e de espelho social. Mais do que nunca o é pela diversidade e pela constante pesquisa e novidade.

E há também nos nossos dias uma nova forma de ver a arte. A arte como profissão. Antes, no tempo dos mestres, dos aprendizes e das escolas, também a arte era uma profissão. Nos nossos dias, há de novo escolas de arte, claro que com objectivos distintos. Os artistas viveram em tempos de mecenas, sobretudo no renascimento, que financiavam as suas vidas, nem sempre opulentas. Hoje, já há de novo algumas formas modernas de mecenato. A Arte e o processo artístico está em constante evolução, mas tem mantido sempre um valor comum. A vontade do homem de representar à sua maneira, com o seu cunho pessoal, e com o seu sentimento, o quotidiano do seu tempo, de forma original e pessoal (das cenas de caça, à beleza feminina e masculina, ao amor pela natureza e ao mistérios da vida e da morte que são temas transversais a todos os tempos).

Final da primeira parte Todas as manifestações artísticas das épocas primitivas são manifestamente viradas para o exotérico e para os fenómenos naturais ligados aos mistérios da vida e da morte, dos astros, e da glorificação do poder ou dos seus representantes (faraós, chefes tribais, guerreiros, conquistadores etc). É um conceito de arte muito diferente do dos nossos dias em que a arte é um bem transaccionável, que se pode adquirir com o fim estético único de ser exposto e admirado, numa parede ou numa exposição. A arte é um bem de consumo, sofisticado é certo, mas valendo muitas vezes por si próprio e não pelo que possa representar. Mais ainda do que um bem de consumo, é actualmente um produto financeiro ou um bem durável como os metais e as pedras preciosas.

No princípio, a arte era um fenómeno muito diferente, e tinha muito das vezes como objectivo único o da glorificação e da preservação da memória dos seus heróis, chefes e personagens importantes, pelos tempos fora.

Muitos dos objectos que neste momento estamos a descrever como Arte, na altura em que foram executados não eram como tal classificados, nem tinham o objectivo de ser uma forma de comunicação do artista para o observador. Eram apenas objectos feitos por artífices, com uma finalidade prática e objectiva (representar, glorificar, adorar, manifestar respeito).

Mestre Arquitecto Jorge Cruz